sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um parêntese relativamente à leitura da poesia.

" Sabe-se que ela tem sido sistematicamente relegada a um plano secundário. Muito já se falou sobre a dificuldade de lidar com o abstrato, com o inacabado, com a ambiguidade,
características intrínsecas do discurso poético, que tem tornado a leitura de poemas
rarefeita nas mediações escolares com sua tradicional perspectiva centrada
na resposta unívoca exemplar e na inequívoca intenção autoral. Se isso é verdade,
também é verdade que sua simples presença nos manuais e nas atividades didáticas não garante o hábito de leitura desse gênero. Mesmo aquelas gerações que foram obrigadas a saber “de cor” os poemas dos manuais não foram além disso, isto é, terminados os estudos, limitaram-se aos poemas escolares, carregando-os na memória como uma espécie de antologia cristalizada pelo resto da vida.
Parece que, infelizmente, a leitura de poemas fora da vida escolar é coisa para poucos. Onde estaria, então, o erro na formação escolar dos leitores para a poesia? Pensamos
que a não exploração das potencialidades da linguagem poética, que fazem do leitor um co-autor no desvendamento dos sentidos, presentes no equilíbrio entre idéias, imagens e musicalidade, é que impede a percepção da experiência poética na leitura produtiva. A exploração dos efeitos de sentido produzidos pelos recursos fonológicos, sintáticos, semânticos, na leitura e na releitura de poemas poderá abrir aos leitores caminhos para novas investidas poéticas, para muito além desse universo limitado – temporal e espacialmente – de formação.
O ensino médio constituiria, então, uma etapa da escolaridade em que se olharia para a
arquitetura do poema nas suas diferentes dimensões. As antologias pessoais dos leitores ganhariam, assim, uma dinâmica que de fato pudesse assegurar a prática da leitura de poemas quando já não mais circunscrita a atividades pontuais na
comunidade escolar. É importante, para isso, ampliar na escola o circuito de poemas
e poetas, quem sabe buscando novas formas de circulação social de poemas,
como jornais, revistas (impressos e digitais), e mesmo em outros meios audiovisuais,
que, em dobradinha com livros de poemas, permitiriam ver e entender a
poesia como uma prática social integrada à vida cotidiana.
Ainda relativamente à seleção dos textos, é importante lembrar que o cânone não é em si negativo: significa que uma obra, na sua trajetória, de quando surgiu até o momento contemporâneo de leitura, foi reiteradamente legitimada como elemento expressivo da sua época. O cânone não é estático, ele incorpora ou exclui obras em decorrência de algumas variáveis, sendo talvez a mais importante aquela dos estudos críticos, em especial os estudos acadêmicos. Ele é importante para formar uma tradição segundo a visão de determinado momento histórico (em perspectiva)."

REFERÊNCIA
Linguagens, códigos e suas tecnologias / Secretaria de Educação Básica. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. 239 p. (Orientações curriculares para o ensino médio ; volume 1)

domingo, 31 de março de 2013

Lendo, escrevendo e resenhando

Olá pessoal,

este espaço foi aberto para que publiquemos, aqui, nosso trabalho, nossas resenhas, para que falemos sobre o que estamos lendo.

É um espaço de trabalho, de construção coletiva do conhecimento, portanto.... "olho na obra".
Bem-vindos!!